Operação “Jogo Duplo” revelou esquema milionário de estelionato e levou à prisão de advogados acusados de planejar o crime.
A Polícia Civil do Estado de São Paulo prendeu, na manhã de terça-feira (17), quatro pessoas suspeitas de envolvimento no assassinato de um casal de empresários ocorrido na cidade de São Pedro (SP). A ação faz parte da operação “Jogo Duplo”, deflagrada após quase dois meses de investigação conduzida pelo 3º Distrito de Homicídios da Divisão Especializada de Investigações Criminais de Piracicaba (Deic/Deinter 9), com apoio da DIG, DISE, GOE e da Delegacia de São Pedro.
O crime aconteceu no dia 4 de abril, quando o casal, morador de Araraquara, saiu em direção a uma chácara de sua propriedade na zona rural de São Pedro. No trajeto, eles fizeram uma parada em outro sítio, também pertencente à família, onde foram vistos pela última vez na companhia de um dos investigados. Ainda naquele dia, o veículo do casal foi encontrado abandonado com os corpos das vítimas em seu interior. O carro apresentava sinais de que não havia sido conduzido por nenhuma das vítimas, e objetos no interior, como um cooler com alimentos perecíveis, indicavam que o casal sequer chegou a entrar na chácara.
Os corpos foram encontrados apenas na noite de domingo, 6 de abril, e desde então a Polícia Civil iniciou uma investigação que revelou uma trama complexa de crimes financeiros envolvendo estelionato, falsidade ideológica, associação criminosa e ocultação de cadáver.
Os mandantes do crime seriam três advogados que prestavam serviços ao casal e administravam seus bens. Utilizando documentos falsificados — incluindo guias DARE, comprovantes adulterados e decisões judiciais forjadas — os suspeitos induziram as vítimas a realizar depósitos que somam mais de R$ 2,8 milhões. Paralelamente, apropriaram-se de cerca de R$ 12 milhões em imóveis sob o pretexto de promover “proteção patrimonial”.
Com o objetivo de encobrir o esquema fraudulento, os advogados teriam contratado dois executores para assassinar o casal e ocultar os corpos. Foram presos dois advogados, de 44 e 47 anos, com escritório em São Carlos (SP), e dois homens, de 54 e 57 anos, apontados como os autores materiais do crime.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em diversos bairros de São Carlos, como Parque Tecnológico Dama I, Parque Faber Castel e Jardim Munique, além de bairros na cidade de Praia Grande, como Maracanã e Vila Mar. Também foi determinado o sequestro de bens dos advogados e o bloqueio das contas bancárias de todos os investigados.
As investigações seguem sob sigilo judicial.